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Postagem 4 – Serra da Capivara

Bom dia meus amigos

Alguém já ouviu falar da Serra da Capivara? E de Niede Guidon? Não? OK!

A Serra da Capivara, ou melhor, o Parque Nacional da Serra da Capivara, é um sítio arqueológico onde foram realizadas as mais sérias pesquisas em relação à origem do homem americano. Mais sérias no mundo inteiro. Lá se contesta a ideia de que o homem das Américas veio da Ásia, mas sim que teria tido sua origem aqui mesmo, no continente. Ou seja: mais de um foco de origem da humanidade, em vez da origem ser exclusivamente africana. Lá no Chade. Para quem já teve a curiosidade de estudar o assunto mais a fundo, a notícia é revolucionaria e contesta as teses acadêmicas tradicionais europeias tidas como inquestionáveis. Achados da presença humana há mais de quarenta mil anos no local são anteriores à glaciação que uniu o Alasca e a Sibéria. Não teria sido por lá então que os humanos teriam chegado às Américas.

A área de pesquisa, ou seja, o local onde os registros da presença humana pré-histórica são encontrados, se estende por uma região enorme de mata virgem. Vizinho ao parque da Serra da Capivara encontra-se outra unidade de conservação federal, o Parque Nacional da Serra das Confusões, a maior reserva de caatinga do Brasil, mas também com mais de 150 sítios arqueológicos. Os dois fazem parte do mesmo bioma, já que estão unidos por uma mata, enorme, praticamente intocada. Entre as duas unidades, ligando as duas, um corredor ecológico, criado em 2005, essas imagens aí.

Explicar a portaria e a figura.

Mas o que existe no local é muito mais do que isso. O que existe é um exemplo de sucesso de um projeto amplo de sustentabilidade em todos os sentidos. Exploração turística, exploração comercial, inclusão das populações locais, com formação técnica, comercial e de lideranças, preservação dos sítios de pesquisa, pesquisa em si mesma, e dois museus maravilhosos, o Museu do Homem Americano e o Museu da Natureza.

Os dois museus, sendo o mais moderno o da Natureza, são coisa de primeiríssimo mundo. No meio da mata surgem estruturas modernas, mesmo majestosas, que se utilizam das técnicas mais atualizadas para apresentação do seu acervo.

Já tive oportunidade de visitar muitos museus no Brasil e no exterior. Considerando os seus escopos, os dois museus não ficam nada a dever a nenhum deles.  Toda esta estrutura, mais a pesquisa, a exploração turística, a exploração comercial, bem como a mão de obra necessária, são fornecidas pela população local, com a formação técnica provida por escolas dedicadas e destinadas ao pessoal local. Quem gerencia tudo é a Fundação do Museu do Homem Americano. Vamos ver do que se trata:

Na década de 1970, um grupo de arqueólogos brasileiros e franceses, dirigidos pela arqueóloga Niède Guidon, iniciou as pesquisas na região com financiamento da França, assim foi criada a Missão Arqueológica Francesa no Piauí.

A Fundação Museu do Homem Americano – Fumdham foi criada para garantir a preservação do patrimônio cultural e natural do Parque Nacional Serra da Capivara. É uma entidade civil, sem fins lucrativos, declarada de interesse público pelo governo brasileiro, que realiza atividades científicas interdisciplinares, culturais e sociais.

A Niede Guidon é a presidente de honra da Fundação. A Fundação, por sua vez, é a administradora do Parque da Serra da Capivara.

Mas, e o que nós temos a ver com tudo isso? Vou chegar lá.

Acontece que os milionários plantadores de soja querem ficar ainda mais ricos, desta vez também à custa do nosso patrimônio histórico e cultural, já que os nossos biomas já estão sendo arrasados impunemente por eles.

Mais ou menos assim: onde não tiver cidade, nós vamos plantar soja. Toda a área cultivável vai ser para isso, para o nosso lucro. Temos dinheiro. Compramos os políticos e intimidamos qualquer um que tentar nos impedir. O resto, não é problema nosso. E se reclamarem, nossos caminhões fecham as estradas.

Vamos ver o que está acontecendo: no apagar das luzes do “governo” atual, o ICMBio autorizou o plantio de soja na área do corredor ecológico que protege o bioma dos dois parques federais.

Vamos à notícia:

Responsável pela gestão das reservas ecológicas federais, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) autorizou o licenciamento de monoculturas de grãos num latifúndio entre os parques nacionais das serras da Capivara e das Confusões, no Piauí. A medida ignora pareceres contrários da própria autarquia e da sociedade civil.

Uma autorização assinada no fim de outubro pelo presidente do ICMBio, o policial militar Marcos Simanovic, dá sinal verde para que a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar/PI) licencie ao menos 6 mil hectares com soja e milho entre os dois parques nacionais na Caatinga. O bioma é exclusivo do Brasil. 

Na verdade serão 12 mil hectares. A diretora da Fundação, Marcia Chame, se manifestou da seguinte maneira:

“Os cultivos usarão muita água subterrânea para irrigação numa região já carente de recursos hídricos, e os agrotóxicos usados podem contaminar espécies e áreas preservadas, dentro e fora dos parques. Uma usina solar deve ser construída no mesmo local para alimentar as bombas de irrigação. A vocação regional não é essa, é para a produção rural familiar, a pesquisa, o turismo e outras atividades que podem ser exemplo para o desenvolvimento sustentável da Caatinga. A produção de mel regional rende muito mais do que o valor da soja, mas pode ser contaminada por químicos usados nas monoculturas.” 

A produção de mel no local é intensa A apicultura, como todos sabem, ou deveriam saber, é indispensável para a polinização e para a propagação das espécies vegetais. Mas por que este afã em fazer a boiada passar por cima da Caatinga?

“O licenciamento das lavouras com aval dos órgãos federal e estadual beneficiará a Apesa Agropastoril Piauiense. Criada nos anos 1970, a empresa e seus sócios atuam da mesma maneira com atividades como transportes, produção de gesso e calcário nos estados do Piauí, Maranhão e Pernambuco.” 

A intervenção da OAB do Piauí e a ação do MP do Estado, agora em 13 de novembro, conseguiram impedir temporariamente o processo e a SEMAR/PI adiou por 45 dias a audiência pública para a licitação.

Quando estive lá, no meio do ano, estava sendo aberta uma estrada de duas vias para acesso ao local e se falava em privatização. Só que o governador do Piauí é do PT, Wellington Dias, que venceu a eleição para o Senado em outubro, deixando em seu lugar sua Vice, também do PT, Maria Regina Sousa, com histórico de militância sindical, fundadora da CUT do Piauí e sua fiel escudeira.

Óbvio que tudo isso é do interesse da dupla. Ou são coniventes ou são incompetentes. O que se pode esperar deles é, certamente, a cara de paisagem. A destruição da caatinga está sendo promovida pelo PT e não pelo Bolsonaro… Incrível!

A OAB e o MP agiram, mas o PV, por exemplo, não. Isso que eles compõem a Federação Partidária que venceu as eleições, junto com o PT, cabeça de chave e o PC do B. Levei o problema ao conhecimento do diretório do PV em Brasília, agradeceram, mas nenhuma providência. Nem retorno. Pelo menos com eles eu consegui fazer contato. Com o pessoal do PT, nem abrem minhas postagens no WhatsApp.

Se eu tomei conhecimento do problema, por que eles não? A defesa do meio ambiente foi uma das bandeiras que mais rendeu votos para eles. Que está acontecendo? Estão muito preocupados com a negociação de cargos? O problema é urgente!  Podiam pelo menos se manifestar a respeito. Um posicionamento seria suficiente para impedir a passagem do correntão, que certamente será utilizado para gerar o fato consumado, se é que essa barbaridade já não aconteceu.

Vamos ver se eles acordam. Como eleitor, me sinto no direito e na obrigação de reclamar.

Ok. Obrigado a todos. Se achou o tema importante, não deixe de se manifestar no debate do Site. E aproveite para dar uma olhada no meu livro…

Um abraço!

 

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